Download Grátis - Livro - O Ladrão de Tempestade (Chris Wooding) - ficção, literatura estrangeira, romance, grátis para baixar,




Descrição:

Existem livros cujas premissas cativam mas não convencem o suficiente, por indiciarem uma história com clichés ou, simplesmente, vulgar e monótona. O Ladrão da Tempestade, do britânico Chris Wooding, parecia-me um deles. Mas as aparências iludem, e a prová-lo está a qualidade desta obra: bem estruturada, original, surpreendente e intimista.
O mote da obra é o seu próprio cenário: Orokos, a Cidade do Acaso.
No meio de um vasto oceano, existe uma cidade-ilha chamada Orokos, onde nunca ninguém conseguiu entrar e donde nunca ninguém conseguiu sair. Em Orokos existe um estranho fenómeno, as tempestades de probabilidades, que têm o poder de alterar tudo à sua passagem.
Orokos é, portanto, uma cidade com particularidades cativantes. Esta cidade é também uma ilha e, para todos os seus habitantes, todo o mundo conhecido. Para além disso, está repleta de artefactos e edifícios pertencentes a uma antiga civilização tecnologicamente avançada, os Extintos. A sua herança mais relevante é a Máquina do Caos, um mítico objecto que, de tempos a tempos, gera tempestades de probabilidades, as quais são capazes de alterar a realidade de Orokos.
Uma das vítimas dessas tempestades é Rail, um jovem ladrão cujos pulmões deixaram de funcionar. Rail, tal como Moa, vive num dos guetos da cidade. Sim, porque a cidade está dividida em vários Territórios amuralhados e é governado com tirania e opressão. A governação e as carências sociais são, aliás, elementos preponderantes nesta obra de ficção-científica. A miséria, a pobreza e as desigualdades sociais agravam-se com a perseguição da Polícias Secreta, responsável pela contenção dos insubmissos.
Estes e outros pormenores criativos sustentam um universo fantástico que vale por si próprio. No entanto, a aventura de Rail e Moa, apesar de simples, é também muito cativante. A eles, junta-se um golem em busca do seu lugar do mundo e outras personagens sobejamente bem construídas.
Na verdade, Chris Wooding conseguiu criar uma história simultaneamente simples e completa, na medida em que se socorre de inúmeros elementos fascinantes que nos mantêm entusiasmados página após página, sem se perder em descrições ou enredos cansativos. Também o facto de esta ser uma narrativa isolada deixa-me surpreso, pois estou convencido de que Orokos poderia acolher muitas outras histórias; mas também me agrada, já que a criação de outras, ou o alargamento desta, poderia prejudicar a concepção deste universo fantástico.
Há muito que não me deparava com uma narrativa de literatura fantástica que, na sua simplicidade, pudesse oferecer tanto aos seus leitores. A opinião sinal é francamente positiva e a leitura claramente recomendada.
Um autor a reler.



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